Cefaleias

Neurologia


O que é?

A cefaleia, nome técnico para a dor de cabeça, está entre os sintomas neurológicos mais frequentes na população e pode ter origens muito diferentes entre si. Na Neurologia, ela costuma ser classificada em cefaleias primárias, como a enxaqueca (também chamada de migrânea) e a cefaleia tensional, e cefaleias secundárias, quando a dor é consequência de outra condição de saúde, como alterações vasculares, infecções ou problemas estruturais. Diferenciar corretamente esses grupos é o ponto de partida para qualquer investigação, já que o manejo de cada tipo de dor segue caminhos distintos.


Ao longo da minha residência em Neurologia pelo Hospital das Clínicas da FMUSP, o atendimento de pacientes com cefaleia foi uma parte constante da prática clínica, o que me permite hoje conduzir essa avaliação com atenção tanto ao padrão da dor quanto ao seu impacto na vida de cada paciente.

Sintomas

Reconhecer as características da dor é o que permite diferenciar os principais tipos de cefaleia. Na enxaqueca, a dor costuma ser unilateral, de caráter pulsátil e intensidade moderada a forte, piora com o esforço físico e frequentemente vem acompanhada de náuseas, sensibilidade à luz (fotofobia) e ao som (fonofobia). Em alguns pacientes, a crise é precedida por aura, um conjunto de sintomas visuais, sensitivos ou de fala que antecede ou acompanha a dor.


A cefaleia em salvas, menos comum, mas bastante característica, provoca crises de dor intensa ao redor de um dos olhos, geralmente acompanhadas de lacrimejamento, vermelhidão ocular e uma sensação de agitação que faz o paciente ter dificuldade em ficar parado durante a crise. Já a cefaleia tensional, considerada o tipo mais frequente de dor de cabeça, costuma se apresentar como uma pressão ou aperto bilateral, de intensidade leve a moderada, sem os sintomas associados típicos da enxaqueca. Há ainda a cefaleia por uso excessivo de analgésicos, quadro em que o próprio uso frequente de medicações para dor acaba contribuindo para a cronificação das crises.


Alguns sinais merecem atenção redobrada e justificam uma avaliação neurológica em caráter de urgência, como dor de início súbito e intensa (a chamada "pior dor de cabeça da vida"), dor associada a febre, rigidez de nuca, alterações visuais persistentes, fraqueza em um lado do corpo ou mudança no padrão habitual da dor em pacientes acima de 50 anos. O diagnóstico das cefaleias é essencialmente clínico, baseado em uma entrevista detalhada sobre a frequência, a duração, os sintomas associados e os fatores desencadeantes das crises. Exames de imagem, como tomografia ou ressonância magnética, são reservados para situações com sinais de alerta, e não fazem parte da rotina diagnóstica da maioria dos pacientes com enxaqueca ou cefaleia tensional.

Tratamentos

Definir o tratamento adequado para uma cefaleia depende diretamente do tipo de dor, da frequência das crises, da intensidade dos sintomas e da presença de fatores desencadeantes identificáveis. Por isso, o primeiro passo do cuidado é sempre um diagnóstico preciso, distinguindo cefaleias primárias, como enxaqueca e cefaleia tensional, de quadros secundários que exigem investigação complementar.


Tratamento medicamentoso

O manejo medicamentoso pode envolver duas frentes: medicações para alívio das crises no momento em que elas ocorrem, e, quando a frequência ou intensidade das dores justificam, um tratamento preventivo contínuo, com o objetivo de reduzir o número e a gravidade das crises ao longo do tempo. A escolha das medicações é individualizada e considera o padrão da cefaleia, os sintomas associados e a resposta clínica de cada paciente. Um ponto importante nesse processo é identificar e corrigir o uso excessivo de analgésicos, hábito que, paradoxalmente, pode agravar e cronificar o quadro de dor.


Tratamento complementar

A identificação de gatilhos, como privação de sono, jejum prolongado, estresse, consumo de álcool e determinados alimentos, é parte essencial do manejo das cefaleias, especialmente da enxaqueca. Em casos específicos, outras abordagens não medicamentosas podem ser incorporadas ao plano terapêutico conforme a necessidade clínica de cada paciente.


Toxina botulínica

Para pacientes com enxaqueca crônica, quadro definido pela presença de dor em 15 dias ou mais por mês, a toxina botulínica pode ser uma opção terapêutica indicada em situações selecionadas, seguindo critérios clínicos bem estabelecidos e após tentativa de outras estratégias preventivas.


Vale destacar que, embora a maioria das cefaleias primárias não tenha cura definitiva, o controle adequado das crises é possível na grande maioria dos casos, permitindo recuperar rotina, produtividade e qualidade de vida.

Como é o atendimento?

Em meus atendimentos para cefaleias, procuro entender a dor de cabeça de forma ampla e individualizada. A consulta começa com um mapeamento clínico detalhado, investigando rotina, sono, alimentação, estresse e uso de medicações, para identificar fatores que influenciam as crises.


Também oriento o uso do diário da cefaleia, ferramenta importante para reconhecer gatilhos e acompanhar, de forma objetiva, a resposta ao tratamento ao longo das consultas. Quando há uso excessivo de analgésicos, elaboro um plano seguro de retirada, associado a uma estratégia preventiva adequada para evitar o retorno das crises.


Em casos selecionados, posso indicar procedimentos em consultório, como bloqueio de nervos occipitais e aplicação de toxina botulínica. Além disso, valorizo uma abordagem integral, com orientações sobre estilo de vida e, quando necessário, atuação conjunta com psicologia e fisioterapia para potencializar os resultados do tratamento.

Dr. Gabriel Samir

Sou Gabriel Samir Martins de Souza, médico neurologista, nascido em Fortaleza-CE. Minha formação em Medicina foi construída na Universidade Federal do Ceará, entre 2012 e 2018, período em que também tive a oportunidade de ampliar meus estudos na University of Liverpool, entre 2014 e 2015.


Logo após a graduação, iniciei minha atuação na Estratégia de Saúde da Família, no interior do Ceará. Essa experiência foi muito importante para minha trajetória, pois fortaleceu em mim um cuidado atento, humano e comprometido com a realidade de cada paciente.


Em 2021, ingressei na residência médica em Neurologia no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, concluída em 2025 após quatro anos de intensa dedicação. Na sequência, também atuei como Preceptor da Graduação da FMUSP na disciplina de Neurologia, unindo prática clínica e formação médica.


Em 2026, iniciei minha subespecialização em Distúrbios do Movimento pelo HCFMUSP, com previsão de conclusão em 2027. Além da formação pela UFC e da residência e fellowship pela USP, fui homenageado com o XI Prêmio Ernesto de Sousa Campos pelo meu trabalho como preceptor da 108ª turma de Medicina da USP.


Acredito em uma Neurologia exercida com seriedade, atualização constante e escuta cuidadosa. Meu objetivo é oferecer um atendimento responsável e individualizado, para que cada paciente se sinta acolhido e seguro em seu cuidado.