Epilepsia

Neurologia


O que é?

A epilepsia é uma condição neurológica crônica marcada pela predisposição do cérebro a gerar crises epilépticas recorrentes, causadas por descargas elétricas anormais e temporárias na atividade dos neurônios. Um ponto que costuma gerar dúvida entre os pacientes é que uma crise isolada nem sempre significa epilepsia: o diagnóstico exige um padrão de recorrência ou fatores específicos que indiquem predisposição a novos episódios, sendo necessária uma avaliação cuidadosa para confirmação.


Com residência em Neurologia pelo Hospital das Clínicas da FMUSP, instituição com ampla experiência em investigação e tratamento de epilepsia, conduzo essa avaliação com atenção ao histórico completo de cada paciente, buscando não apenas confirmar o diagnóstico, mas compreender suas particularidades clínicas.

Sintomas

A epilepsia pode se manifestar de formas muito diferentes, o que muitas vezes dificulta o reconhecimento inicial da condição. Algumas crises são discretas e podem passar despercebidas por quem está próximo, causando apenas olhar fixo, breve confusão mental, movimentos automáticos com as mãos ou a boca, formigamentos, sensação de déjà vu ou pequenos solavancos musculares. Em outros casos, o quadro é mais evidente, com perda de consciência, rigidez corporal e abalos musculares generalizados, o que é popularmente conhecido como "ataque epiléptico" ou crise convulsiva.


Essa variedade de manifestações está diretamente relacionada à área do cérebro onde a descarga elétrica se origina, o que torna a avaliação especializada essencial para uma classificação correta. Diante de uma primeira crise ou de episódios recorrentes, alguns pontos merecem atenção e devem ser relatados ao neurologista:

  • Duração e características do episódio, incluindo se houve perda de consciência
  • Fatores que precederam a crise, como privação de sono, febre ou uso de álcool
  • Sintomas antes ou depois do episódio, como confusão prolongada ou fraqueza localizada
  • Histórico familiar de epilepsia ou de outras condições neurológicas


O diagnóstico é principalmente clínico, baseado no relato detalhado do paciente e, sempre que possível, de quem presenciou os episódios, já que muitas crises ocorrem sem que o próprio paciente se lembre do momento. Exames como o eletroencefalograma (EEG) e a ressonância magnética são ferramentas complementares importantes, ajudando a classificar o tipo de crise e investigar possíveis causas estruturais. Realizo essa análise de forma criteriosa, já que diferenciar epilepsia de outras condições com sintomas semelhantes, como síncopes e crises não epilépticas psicogênicas, é determinante para o tratamento correto.

Tratamentos

Definir o tratamento da epilepsia depende do tipo de crise, da causa identificada, da frequência dos episódios e do impacto que eles causam na rotina do paciente. Por isso, a conduta terapêutica é sempre individualizada, construída a partir de uma avaliação neurológica detalhada.


Tratamento medicamentoso

Na maioria dos casos, o controle das crises é feito por meio de medicamentos anticrise (também chamados de anticonvulsivantes), escolhidos de acordo com o tipo de epilepsia e o perfil clínico de cada paciente. O acompanhamento regular é fundamental para ajustar as doses, monitorar a resposta ao tratamento e identificar possíveis efeitos adversos. A adesão correta ao uso contínuo da medicação é um dos pilares mais importantes para o controle adequado da doença, já que interrupções inadequadas estão entre as principais causas de recorrência de crises.


Investigação e manejo da causa

Quando possível, é importante identificar e tratar fatores associados ou condições estruturais que possam estar relacionadas ao surgimento das crises. Além do tratamento medicamentoso, oriento sobre hábitos e situações que podem favorecer novos episódios, como privação de sono, consumo de álcool e interrupção inadequada das medicações, fatores que, embora simples, têm impacto direto no controle da epilepsia.


Acompanhamento contínuo

O seguimento especializado permite revisar a evolução do quadro ao longo do tempo, confirmar o diagnóstico inicial e diferenciar epilepsia de outras condições que podem se manifestar de forma semelhante.


Vale destacar que, com o tratamento adequado, a maioria dos pacientes com epilepsia consegue atingir bom controle das crises, podendo levar uma vida ativa, incluindo dirigir, trabalhar e praticar atividades físicas, conforme orientação médica individualizada.

Como é o atendimento?

Em meus atendimentos para epilepsia, valorizo uma escuta atenta e uma investigação detalhada dos episódios. Sempre que possível e seguro, oriento familiares a registrarem as crises em vídeo, pois essa análise pode contribuir muito para a precisão diagnóstica.


Durante a consulta, também conversamos sobre fatores que podem facilitar novas crises, como privação de sono e consumo de álcool, além de orientações práticas de segurança para a rotina. Considero essencial explicar de forma clara que a epilepsia é uma condição que pode ser acompanhada e controlada, reduzindo medos e estigmas.


Para mulheres em idade fértil, o planejamento da gestação recebe atenção especial, com avaliação criteriosa das medicações. O acompanhamento é contínuo, com revisões regulares para monitorar a resposta ao tratamento, acompanhar exames e buscar mais segurança e qualidade de vida para cada paciente.

Dr. Gabriel Samir

Sou Gabriel Samir Martins de Souza, médico neurologista, nascido em Fortaleza-CE. Minha formação em Medicina foi construída na Universidade Federal do Ceará, entre 2012 e 2018, período em que também tive a oportunidade de ampliar meus estudos na University of Liverpool, entre 2014 e 2015.


Logo após a graduação, iniciei minha atuação na Estratégia de Saúde da Família, no interior do Ceará. Essa experiência foi muito importante para minha trajetória, pois fortaleceu em mim um cuidado atento, humano e comprometido com a realidade de cada paciente.


Em 2021, ingressei na residência médica em Neurologia no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, concluída em 2025 após quatro anos de intensa dedicação. Na sequência, também atuei como Preceptor da Graduação da FMUSP na disciplina de Neurologia, unindo prática clínica e formação médica.


Em 2026, iniciei minha subespecialização em Distúrbios do Movimento pelo HCFMUSP, com previsão de conclusão em 2027. Além da formação pela UFC e da residência e fellowship pela USP, fui homenageado com o XI Prêmio Ernesto de Sousa Campos pelo meu trabalho como preceptor da 108ª turma de Medicina da USP.


Acredito em uma Neurologia exercida com seriedade, atualização constante e escuta cuidadosa. Meu objetivo é oferecer um atendimento responsável e individualizado, para que cada paciente se sinta acolhido e seguro em seu cuidado.