Neurologia
O que é?
Os distúrbios do movimento formam um grupo de condições neurológicas que afetam a coordenação, o controle e a execução dos movimentos voluntários e involuntários do corpo. Entre os quadros mais frequentes na prática clínica estão os tremores, caracterizados por oscilações rítmicas e involuntárias de uma parte do corpo, e as distonias, marcadas por contrações musculares sustentadas ou intermitentes que provocam espasmos, movimentos repetitivos e posturas anormais. Ambas as condições podem variar bastante em intensidade, desde sintomas leves e pouco perceptíveis até quadros que comprometem significativamente tarefas simples do dia a dia, como escrever, comer ou se comunicar.
Formado em Medicina pela Universidade Federal do Ceará (UFC) e com residência em Neurologia pelo Hospital das Clínicas da FMUSP, dedico minha subespecialização justamente à área de Distúrbios do Movimento, o que me permite oferecer uma avaliação criteriosa e um raciocínio clínico direcionado às particularidades de cada tipo de tremor ou distonia.
Sintomas
Reconhecer o tipo específico de tremor ou distonia é o primeiro passo para um diagnóstico correto, já que as diferentes formas desses distúrbios exigem abordagens distintas. No tremor essencial, um dos tipos mais comuns na população adulta, a oscilação costuma aparecer ao segurar objetos, escrever ou levar alimentos à boca, geralmente afetando as mãos de forma simétrica. Já no tremor associado à Doença de Parkinson, o padrão costuma ser diferente: surge predominantemente em repouso e vem acompanhado de outros sinais, como rigidez muscular e lentidão dos movimentos.
A distonia, por sua vez, manifesta-se de formas variadas conforme a região do corpo acometida. Entre as apresentações mais comuns estão:
- Distonia cervical (torcicolo espasmódico), com contrações involuntárias no pescoço que geram posturas anormais da cabeça
- Blefaroespasmo, caracterizado por piscadas excessivas ou fechamento involuntário das pálpebras
- Cãibra do escrivão, que provoca dificuldade e desconforto ao escrever ou realizar movimentos manuais repetitivos
- Espasmos musculares localizados, que podem causar dor e limitação funcional
O diagnóstico desses quadros é essencialmente clínico, baseado em uma avaliação detalhada da história do paciente, do padrão do movimento e do impacto funcional na rotina. Exames complementares, como ressonância magnética ou exames laboratoriais, podem ser solicitados em casos específicos, principalmente para excluir causas secundárias. Realizo essa investigação de forma individualizada, já que identificar corretamente o tipo de distúrbio é determinante para a escolha do tratamento mais adequado.
Tratamentos
Definir o tratamento para tremores e distonias exige considerar o tipo específico de distúrbio, a intensidade dos sintomas e o quanto eles interferem nas atividades diárias do paciente. Não existe uma conduta única: cada caso demanda uma estratégia construída a partir de uma avaliação neurológica cuidadosa.
Tratamento medicamentoso
Para muitos pacientes, o tratamento inicial envolve medicações que atuam reduzindo tremores, espasmos ou contrações musculares involuntárias. A escolha do fármaco varia conforme o diagnóstico, seja tremor essencial, tremor parkinsoniano ou diferentes formas de distonia, e os ajustes de dose são feitos de acordo com a resposta clínica observada ao longo do acompanhamento.
Aplicação de toxina botulínica
Nas distonias focais, como a distonia cervical, o blefaroespasmo e a cãibra do escrivão, a toxina botulínica é considerada uma das principais opções terapêuticas. O procedimento é realizado com aplicação direcionada nos músculos envolvidos no distúrbio, com o objetivo de reduzir contrações anormais, aliviar a dor associada e melhorar a postura e a funcionalidade da região afetada.
Acompanhamento complementar
Dependendo do quadro clínico, o tratamento pode ser complementado com reabilitação motora, fisioterapia e outras estratégias voltadas à melhora da mobilidade, do desempenho em tarefas específicas e da qualidade de vida como um todo.
Vale destacar que, embora a maioria dos tremores e distonias não tenha cura definitiva, o controle adequado dos sintomas é possível na grande maioria dos casos, especialmente quando o tratamento é iniciado precocemente e acompanhado de forma contínua.
Como é o atendimento?
Em meus atendimentos para tremores e distonias, valorizo uma avaliação cuidadosa, com tempo adequado para compreender a dinâmica dos movimentos, os fatores que agravam os sintomas e o impacto disso na rotina pessoal e profissional do paciente. Essa análise detalhada é essencial tanto para um diagnóstico preciso quanto para a definição da conduta mais indicada.
O plano terapêutico é sempre individualizado. Juntos, avaliamos se o tratamento deve envolver medicações orais, programação para aplicação de toxina botulínica ou, em situações específicas, encaminhamento para avaliação de terapias mais avançadas.
Considero fundamental, ainda, uma abordagem multidisciplinar, em integração com fisioterapia, terapia ocupacional e fonoaudiologia, quando indicado. Mantenho acompanhamento regular para ajustar o tratamento ao longo do tempo, com o objetivo de ampliar o controle dos sintomas, a funcionalidade e a autonomia no dia a dia de cada paciente.
Sou Gabriel Samir Martins de Souza, médico neurologista, nascido em Fortaleza-CE. Minha formação em Medicina foi construída na Universidade Federal do Ceará, entre 2012 e 2018, período em que também tive a oportunidade de ampliar meus estudos na University of Liverpool, entre 2014 e 2015.
Logo após a graduação, iniciei minha atuação na Estratégia de Saúde da Família, no interior do Ceará. Essa experiência foi muito importante para minha trajetória, pois fortaleceu em mim um cuidado atento, humano e comprometido com a realidade de cada paciente.
Em 2021, ingressei na residência médica em Neurologia no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, concluída em 2025 após quatro anos de intensa dedicação. Na sequência, também atuei como Preceptor da Graduação da FMUSP na disciplina de Neurologia, unindo prática clínica e formação médica.
Em 2026, iniciei minha subespecialização em Distúrbios do Movimento pelo HCFMUSP, com previsão de conclusão em 2027. Além da formação pela UFC e da residência e fellowship pela USP, fui homenageado com o XI Prêmio Ernesto de Sousa Campos pelo meu trabalho como preceptor da 108ª turma de Medicina da USP.
Acredito em uma Neurologia exercida com seriedade, atualização constante e escuta cuidadosa. Meu objetivo é oferecer um atendimento responsável e individualizado, para que cada paciente se sinta acolhido e seguro em seu cuidado.